terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Orgulho, vaidade, egoísmo, ambição...

Para que orgulho se todas as situações e condições humanas são efêmeras, passageiras?

O orgulho, a ganância e a sede de poder refletem a imaturidade do ser humano, daqueles que pensam que as leis cósmicas permitem uma felicidade egoísta, onde alguns se locupletam e outros vegetam.

Toda grandeza se esvai sob o peso do orgulho e da vaidade, restando apenas algo lamentável, triste de se ver. Certamente os valores negativos mais danosos à humanidade são o orgulho, o egoísmo e a ambição, que levam o ser humano a querer sobressair-se sempre aos demais, a viver apenas em função de si mesmo, das suas vontades e satisfação das próprias paixões, e a ter sempre mais e mais. Esses valores negativos demonstram apenas a imaturidade do ser humano, a sua tolice.

Para que orgulho se todas as situações e condições humanas são efêmeras, são passageiras? Orgulho de quê? Das posses que não podemos levar conosco para além desta vida, e que nem mesmo nos conseguem livrar das doenças, dos acidentes dos sofrimentos e da própria morte? Orgulho pela posse de bens que na realidade não nos pertencem; desses bens que a vida nos cede por empréstimo, e que temos de devolver na passagem pelo túmulo?

Além do mais, existem as reencarnações... O orgulhoso que se envaidece pelas posições que ocupa, pisoteando e humilhando seus subordinados ou aqueles a quem considera inferiores, nas futuras encarnações certamente irá sofrer as mesmas humilhações que impingiu a seus irmãos em humanidade.

O egoísta que se apega aos bens que possui e não lhes dá a correta destinação, ou seja, meios de vida também para outras pessoas, em futuras encarnações deverá amargar a pobreza, a penúria, a miséria, para poder dessa forma aprender a respeitar as leis divinas.

Quanto à ambição, é também uma clara amostra da tolice humana. É como um vírus que faz sofrer seu portador. O ambicioso não tem paz, porque sempre está desejando algo, desejando intensamente, e fica infeliz e frustrado quando não consegue o que quer.


O ambicioso está sempre querendo mais e mais. Ele não se conforma com o que possui, mesmo que possua muito. Também não se aquieta para usufruir o que possui, desfrutar das coisas boas da vida, que uma vida financeiramente folgada pode proporcionar. O ambicioso é um eterno insatisfeito e, portanto, não é feliz.

O que pode tornar feliz o ser humano?

Se em vez da sede de poder, as criaturas se deixassem conduzir pela responsabilidade, tudo seria diferente. Imaginemos como seria o mundo se todos os homens públicos trabalhassem visando o bem coletivo; se usassem seus potenciais para o beneficio da comunidade e se toda a população fosse fraterna, honesta e solidária? A vida seria bem diferente.

O orgulho, a ganância e a sede de poder refletem a imaturidade do ser humano, daqueles que pensam que as leis cósmicas permitem uma felicidade egoísta, onde alguns se locupletam e outros vegetam.

A lei divina é profundamente justa e sábia. E ela determina que a comunidade deve evoluir como um todo. Todos devem contribuir para essa evolução. Aqueles que não o fizerem acabarão tendo que sofrer as conseqüências de seus atos. Para isso existe a reencarnação que modifica as posições dos seres e assim, todos, cada um por sua vez, experimentam e vivenciam as inúmeras condições que o planeta oferece. Uns aprendem mais rapidamente as lições da vida, da ciência do bem viver. Outros custam mais a aprendê-las, mas nesse aprendizado todos acabamos por compreender que ambição, egoísmo e orgulho não proporcionam felicidade, ao contrário, são semeaduras de sofrimentos para o futuro.

Se fosse possível olharmos o nosso interior, a nossa subconsciência; se fosse possível olharmos com olhos alheios as nossas atitudes, veríamos logo que não existem razões para sentimos orgulho ou sermos vaidosos.

Mas o que é orgulho?

O orgulho resulta da idéia que fazemos de nós mesmos e, como sempre, essa idéia não é real, porque não conseguimos ver a nós próprios.

Poucas pessoas possuem visão interior correta, ou seja, a capacidade de observarem a si mesmas, fazendo uma autocrítica justa, não tendenciosa. Quem possui essa visão interior consegue avaliar a si mesmo, sem ilusões. A visão interior correta é o resultado de esforço, de auto-análise, de reflexão, de maturação do próprio espírito. Por enquanto, em nossa imaturidade espiritual, quando resolvemos fazer alguma observação sobre nós mesmos a nossa deformada visão interior só vê aquilo que possa servir de base para o nosso orgulho, a nossa vaidade. Por isso só vemos as coisas positivas, principalmente aquelas que acreditamos, ou nos interessa acreditar que possuímos.

Na verdade costumamos nos ver numa condição muito superior à realidade. As qualidades que observamos em nós, nos parecem bem maiores do que são, e os defeitos que temos e que anulam muitas das nossas qualidades, esses, geralmente não vemos, ou vemos com os olhos da complacência.

Geralmente, quando começamos a aceitar a idéia da reencarnação, nossa curiosidade logo se acende para sabermos que personagens importantes podemos ter sido no passado. E quando pensamos nos espíritos superiores, logo começamos a imaginar qual deles deve ser o nosso mentor.

Ao conhecermos as obras do espírito André Luiz, em suas narrativas sobre a colônia espiritual Nosso Lar, através da psicografia de Chico Xavier, queremos logo acreditar que somos procedentes daquela colônia, e ficamos imaginando que descemos à terra nesta encarnação para realizarmos grandes missões.

É sempre a vaidade que nos move, fazendo-nos sonhar com grandezas inexistentes, ou com situações irreais.

Até mesmo na mediunidade as almas imaturas, ao perceberem a presença de um guia espiritual, vão logo imaginando que se trata de um Bezerra de Menezes, Emanuel, André Luiz ou outro espírito conhecido e admirado.

E quando a entidade se comunica a imaginação exacerbada pela vaidade pode até mesmo acionar os mecanismos do animismo e a comunicação poderá encerrar-se apresentando um nome de alguém que ali não estava. Isto se chama animismo.

Se olharmos com os olhos da verdade para dentro de nós, analisando com absoluta sinceridade nossas grandezas e mesquinharias, nossos valores positivos e negativos, veremos que fazemos parte do grande rebanho humano com todas as suas idiossincrasias, suas luzes e suas sombras.

Se já conseguimos alcançar um pouco mais de conhecimento espiritual; se buscamos intensamente nosso crescimento interior sob as claridades do Evangelho, esse fato deve nos alegrar e nos tornar mais gratos àqueles que do Alto acompanham nossa jornada, nos auxiliando sempre. Mas deve também fortalecer nosso senso de responsabilidade, convidando-nos à vivência da humildade.

Toda grandeza se esvai sob o peso do orgulho e da vaidade, restando apenas algo lamentável, triste de se ver.



Créditos: Bem viver

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