
Por que isso acontece?
Se quisermos ser amados ou admirados por todos, vamos nos sentir decepcionados em muitas oportunidades; também ficamos frustrados quando não fazem conosco ou para nós, o mesmo que acreditamos ter feito de bom aos outros: somos gentis no trânsito na expectativa que sejam gentis conosco; somos honestos porque esperamos honestidade dos outros; evitamos fazer fofocas porque não queremos ser vitimas delas...
Somos “nós” os parâmetros para nossos conceitos de bondade, gentileza, compreensão e honestidade. O “quanto” e “como” gostaríamos de sermos amados, respeitados e considerados somos nós que estabelecemos, portanto a responsabilidade pelo desapontamento pelo que recebemos é nossa. Bom seria se amassemos e ajudássemos as pessoas, cumpríssemos a lei e as regras sociais por uma questão de consciência pessoal; certamente o que recebêssemos em troca seria bem vindo e evitaríamos muito sofrimento emocional inútil.
Não esperar nada dos outros parece sem sentido para muita gente, que não consegue imaginar o mundo sem que ele seja um reflexo de si mesmo e de seus pensamentos e desejos. Aceitar que a sua opinião possa não ser a melhor, que a sua atitude possa não ser a mais correta, e que o outro possa ter suas razões da mesma forma que você tem as suas, e que ele possa querer se preservar como você, exige humildade.
Quanto maior o nosso apreço e proximidade com as pessoas, maior a nossa exigência ou expectativa em relação a elas – que elas sejam tão organizadas quanto nós, que nos amem na mesma medida que as amamos, que nos sejam gratas, que concordem conosco em nossos conceitos de certo e errado, e até seus sentimentos tem que ser iguais aos nossos. Exigimos, não só que nossos desejos sejam atendidos, mas também adivinhados.
Não nos damos conta de quanto é absurda essa exigência; perdemos a noção de que o outro é o outro, e nós somos nós. Ficamos magoados se ele não se comporta como nós nos comportaríamos se fossemos ele. Não conseguimos nos colocar em seu lugar nas circunstâncias dele, com o temperamento dele, vivendo a situação dele... Reconhecer que as mesmas coisas podem representar algo diferente para diferentes pessoas exige uma boa dose de abnegação e complacência. Algumas pessoas têm dificuldades em lidar com a rejeição amorosa exatamente porque não conseguem perceber que o outro não é ele, e que, como tal, pode não compartilhar de seus conceitos de beleza, atração ou inteligência. Usando o exemplo dado por G.J. Ballone – “seria o mesmo que dizer, se eu fosse ele, eu gostaria muito, mas muito mesmo de mim, seria grato a mim mesmo, acharia que estou muito certo... etc.”
Se aceitar que a maneira de ser de nosso próximo pode ser muito diferente da nossa exige humildade, abnegação e complacência, como nós, simples mortais, podemos atingir estágio tão elevado como ser humano? Simples, e complicado ao mesmo tempo – conhecendo a nós mesmos. Quanto mais soubermos a nosso próprio respeito, mais vamos conhecer sobre o nosso semelhante e menos sofrimento, mágoa e desencanto vamos experimentar em relação a ele. Somos iguais em nossa necessidade de sermos reconhecidos, amados, respeitados, obedecidos, entre outras coisas, e exigir isso do outro sem conceder a ele o mesmo privilégio em relação a nós é no mínimo um contra-senso. Embora sentimentos tais como o desejo de levar vantagem, ser ouvido ou apreciado exista em todos nós, criticamos nos outros atitudes que não temos coragem de tomar. Ficamos inconformados e constrangidos, e é natural tentarmos mudar alguma coisa ou alguém. É preciso que fique claro que tentar mudar uma pessoa é uma tarefa quase impossível – ela mudará apenas se isso for do interesse dela, se ela reconhecer que essa mudança vai lhe trazer benefícios, ou, se insistir em permanecer como está lhe acarretar perdas importantes.
É inútil tentarmos fazer com que ela se sinta culpada, errada, arrependida ou mal agradecida, porque assim como nós, ela também se acha certa e com razão. Embora isso pareça absurdo, muitas pessoas exigem que o outro mude seus sentimentos, ao invés do seu comportamento. É mais sensato tentar entender esses sentimentos através da empatia do que fazê-los mudar. Você não pode pedir a seu marido que “goste” de almoçar com seus pais aos domingos, mas pode pedir a ele que a acompanhe nesses passeios. É importante ter em mente que o outro não está errado em sentir as coisas ao seu modo. Nós é que erramos em termos a pretensão de que ele sinta como nós, e sofremos pelas nossas pretensões.
Ás vezes as pessoas têm realmente a intenção de nos magoar ou irritar. Mesmo assim, só seremos atingidos se algo dentro de nós estiver receptivo ao que nos tentam impingir, nos tornando vulneráveis aos ataques.
Sentir-se agredido vai depender muito do quanto somos sensíveis a critica, à contrariedade e à frustração. Fazendo uma analogia com nosso corpo físico, se temos uma ferida, qualquer esbarrão nela, independente da intenção, provocará dor. Se estamos nos sentindo excessivamente agredidos, magoados e frustrados em nosso ambiente, temos que considerar a possibilidade de termos feridas íntimas e profundas, que a semelhança de uma ferida física, dói a qualquer esbarrão. Quem está bem consigo mesmo não se deixa perturbar tão facilmente pelos demais.
Por: G.J. Ballone
http://gballone.sites.uol.com.br/voce/proximo.html
Imagens: google.com

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