sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

"Janelas Killers"

O psiquiatra Augusto Cury explica a questão das “janelas killers” (ou zonas de conflitos) que temos no inconsciente. Em milésimos de segundo, o estímulo visual ou sonoro – uma decepção, uma crítica – penetra nas entranhas do córtex cerebral e abre as “janelas killers”, bloqueando outras janelas, devido ao acúmulo de tensão, fazendo-nos reagir estupidamente.

“Quantas vezes você reage sem pensar, sofre por pequenas coisas, se angustia por um futuro que não aconteceu ou rumina sordidamente um passado e se esmaga por um sentimento de culpa? Um conjunto de estímulos estressantes pode formar um corpo de ‘janelas killers’ e enclausurar-nos no único lugar em que devemos ser livres: dentro de nós, sem desprezo.”

Sobre o desprezo, ele ressalta que é uma das experiências mais dramáticas do sofrimento humano. Se alguém é discriminado, rejeitado, exposto publicamente, há um registo automático da memória, de maneira privilegiada. Às vezes, o desprezo, uma palavra agressiva, dirigida a alguém publicamente se torna inesquecível, e a pessoa pode acreditar que nunca mais terá liberdade, espontaneidade para se relacionar com outra pessoa.

“Um aluno em uma sala de aula, rejeitado, exposto publicamente pelo seu professor, pode ficar traumatizado, a ponto de enclausurar e abortar a inteligência. Quando você consegue entender, pelo menos um pouco, o teatro da mente humana percebe que toda discriminação é uma barbaridade, um ato desinteligente. Toda a rejeição e exclusão confrontam com a sabedoria.”

Cury usa como modelo principal de comportamento sadio o exemplo de Jesus: “Mais importante do que os erros de uma pessoa é a pessoa que erra. Jesus nunca expôs publicamente os erros de uma pessoa. Se você faz isso, comete um grave erro. Jesus nunca pediu conta das faltas e atrocidades cometidas pelos homens. Sabe por quê? Porque Ele era uma pessoa bem resolvida, tinha auto-estima sólida. Era um homem apaixonado pela vida. Tinha grandes sonhos, e o maior deles era envolver cada ser humano, conhecê-lo, tocá-lo, amá-lo.”

O psiquiatra conta o desenrolar da passagem bíblica que mostra quando um pequeno grupo de radicais religiosos trouxe a mulher adúltera para Jesus, para que pudessem usá-la como isca para destruí-lo.

“Perguntaram qual era a sentença de Jesus para aquela mulher. Se Ele dissesse: ‘Que seja apedrejada!’, livraria a sua pele, mas destruiria seu discurso e seu amor pelo ser humano. Se respondesse: ‘Não a matem!’, Ele e a mulher seriam apedrejados, pois iria contra a tradição daqueles radicais.

Qual a foi a primeira resposta de Jesus? A frase ‘Quem não tem pecado atire a primeira pedra’? Não, essa foi a segunda. A primeira resposta foi o silêncio, quando Ele abaixou-se e começou a escrever na areia. Ele escrevia no teatro da sua mente.

Não se obrigue a dar respostas quando alguém agredir você. O silêncio nunca é mal-interpretado. É a maior arma contra a arrogância. No silêncio, devemos encontrar a maior força e entender que por trás da pessoa que está ferindo você, está a pessoa ferida.” "




Por: Augusto Cury
Imagens google.com

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