quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Agosto de Deus

ūüćā Agosto

ūüćĀ “S√≥ quem vive bem os agostos √© merecedor da primavera! Lembro-me bem. Foi quando julho se foi, que um vento mais gelado, mais destemperado, que arrastava ainda folhas deixadas pelo outono, me disse algumas verdades. ūüćā

Convenceu-me de que o c√©u come√ßaria a apresentar metamorfoses avermelhadas. Que a poeira levantada por ele daria li√ß√Ķes de que as coisas nem sempre ficam no mesmo lugar e que √© preciso aceitar que a poeira s√≥ assenta depois que os redemoinhos se v√£o. Foi quando julho se foi que a minha solid√£o me convidou para uma conversa. E me contou de tempo de esperas. E me disse que o barulho das √°rvores tinha algo a dizer sobre aceita√ß√£o. E eu fiquei pensando com elas, as √°rvores, aceitam as esta√ß√Ķes que, se as estremecem, tamb√©m lhes florescem os galhos. Mas tudo a seu tempo. Foi em agosto que descobri que os cachorros loucos s√£o, na verdade, os uivos que n√£o lan√ßamos ao vento. S√£o nossos estremecimentos particulares que a nossa rigidez de certezas n√£o nos permite encarar.....


Agosto √© quando Deus deixa a natureza traduzir visivelmente o tempo das muta√ß√Ķes. Mude, diz agosto, em seu recado de sementes. Aceite, diz agosto, com seu jeito frio de vento que levanta poeira e a faz avermelhar o c√©u. ūüćĀ

Compartilhe, diz agosto.... Distribua mais afetos, que inverno √© acolhimento, √© tempo de preparar setembro. E, de setembro, todos sabemos o que esperar. Esperamos a arrebenta√ß√£o das cores, que com seus mais variados nomes v√™m em forma de flores. Vamos apreciar agosto, receb√™-lo com espanto feliz de quem n√£o desafia ventos. Que ele desarrume e espalhe suas folhas e levante suas poeiras. Aceite as esperas, mas coloque floreiras na janela. S√≥ quem vive bem os agostos √© merecedor da primavera.” ūüćā

(Miryan Lucy de Rezende) ūüćĀ
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Imagens: google.com


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